quinta-feira, 26 de março de 2009

Déda, a voz do Governo Deda


Nenhum homem é uma ilha. Nenhum homem significa ou é nada sozinho. Mas o político Marcelo Déda, enquanto governador do Estado de Sergipe, padece um pouco de uma certa solidão insular. Apesar de eleito numa estupenda coalizão que reuniu progressistas e retrógrados, coronéis e comunistas, e de ter feito a distribuição de cargos e espaços de seu Governo numa generosidade que às vezes incomoda, ele hoje é a maior voz em favor de si mesmo. Ou seja, quase no grito e no gogó, toca, defende e empreende o Governo. Eleito como foi, tendo distribuído como distribuiu os espaços da máquina, deveria ter amparo maior – não que esteja sendo bicado no fígado e careça de socorros urgentes e constantes.
Mas um Governo se faz de ações e de palavras. Hoje, a imagem do Governo de Déda é de que falta ações – apesar de elas existirem. E nesta hora, as palavras em seu favor desaparecem. Os aliados estão como que todos por si mesmos. Vejam o exemplo do empréstimo de R$ 250 milhões arrebanhado pelo Estado junto ao BNDES no dia 11 de março: é um fato auspicioso para Sergipe e ninguém do Governo bateu tambores para isso além do dia em que foi assinado o convênio. Morreu ali.
Um exemplo farto da solidão de Déda e de seu Governo vem da Assembleia Legislativa. Com 18 deputados aliados, e entre eles homens de fundo conhecimento das ciências médicas, da engenharia, da educação, da economia e da política em si, apenas uma voz lhe sai em defesa – e o faz muito bem, apesar dos seus destemperos constantes, que é a do líder Francisco Gualberto. Onde estão os demais parlamentares? Temem o quê ou a quem? Confiam ou não no Governo que apoiam e sob o qual desenvolvem seus mandatos? Falta algo mais que lhes liguem ao chefe do Executivo? A interlocução entre Poderes Executivo e Legislativo carece de que mais? Será que o próprio Déda falha neste relacionamento? Será que ele incomoda por ser falante, idealista e convincente naquilo que quer ser e fazer?
Quando a imagem do Governo é refletida no âmago do próprio Governo, que são os secretários de Estado, a solidão do governador se perfila mais feiamente. Aí ele vira uma clássica pedra ao sol. É, que desculpem a comparação, de provocar labirintite nos mais serenos. Quem, nos embates sociais e políticos, testemunha vozes dos secretários de Déda em defesa do Governo de Déda no dia-a-dia de Sergipe? Quase ninguém. Por isso, a fragilizada oposição ainda respira razoavelmente bem, abafa o que há de bom no Governo e faz da ‘paralisia pública’ uma voz corrente que vai grudando nos cidadãos.

Mas a culpa de tudo isto não estaria no jeito muito peculiar de ser de Déda, num modo, diga-se lá, muito centralista de ser do chefe do Executivo, posto que ele assiste a tudo, vê decisãozinha por decisãozinha, e até pediu que seus auxiliares diretos não nomeassem ninguém de segundo e terceiro escalão que não passasse por ele? É provável que não. É mais provável que seja conseqüência mesmo da falta de uma unidade comunicacional de Governo – de uma comunicação que não precisa necessariamente passar pela Secretaria de Estado de Comunicação Social, embora ela seja primordial nisso tudo.
Fonte: Jornal Cinform

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