sexta-feira, 13 de março de 2009

João: Déda não sabe administrar


“O governador Marcelo Déda é o melhor orador de Sergipe – político – é um homem que tem curso de teatro – então leva uma vantagem enorme. Ele é ‘bonitão’, é simpático, carismático... tudo bem. Agora, precisa aprender a administrar. Isso ele já provou que não sabe. O grande erro de um administrador público é querer justificar suas falhas atribuindo culpas a governos passados”, afirmou o ex-governador João Alves Filho (DEM), referindo-se à declaração do governador Marcelo Déda (PT) de que falta água em Sergipe porque “sumiram R$ 200 milhões”.

João Alves salientou que durante o seu governo Sergipe não enfrentou falta de água, e atribuiu o problema vivido hoje pelos sergipanos ao despreparo do governador Marcelo Déda.

“Nestes últimos anos, não tivemos um aumento vertiginoso da população, a ponto de justificar a falta d’água. O que existe, e é aí onde falta a visão do administrador, é que ele tem que entender que existem cargos no governo que a gente tem que dar um tratamento técnico. Nós temos o maior sistema de adutora do país. E o mais complexo, porque é uma adutora intercalada com a outra - a adutora sertaneja se completa com a do alto sertão. Então, quando estou no governo, mudo apenas o chefe. Mas os técnicos que estão lá há 30 anos, que conhecem o sistema, eu não mudo. Não quero nem saber qual o partido deles”, explicou João Alves.

Segundo o ex-governador, como o sistema de administração do governo Marcelo Déda é complexo, por ser formado por vários partidos, ele, Déda, quer administrar “com a estrelinha vermelha”, não levando em conta, e logo valorizando, o fato de alguns funcionários terem mais de 30 anos e um conhecimento profundo do sistema. “Ele quer analisar se o sujeito é do PT ou não é. Aí faz a distribuição dos cargos por este critério. Só que isso não garante a eficiência do serviço. Não precisamos trazer nenhum gênio para cá. É preciso apenas usar os bons técnicos que estão aí”, explicou o ex-governador, lembrando que administrou sem contar com a duplicação da adutora do São Francisco.

“Aumentamos a água em 30% e a entregamos no último dia do governo, e 10 dias depois que o governador Marcelo Déda assumiu já estava faltando água. Como é que se explica isso? Tem município que está há meses convivendo com a falta de água. Então, ele deveria justificar isso, e não especular sobre Operação Navalha. Eles gravaram 3.500 horas. Desafio o governador, que é íntimo do presidente, conseguir uma só palavra minha fora do lugar. Não tem”, assegurou João Alves, garantindo ter entrado na política como um dos homens mais ricos de Sergipe, e hoje ter apenas uma empresa modesta.

Cassação

Questionado sobre a especulação de que estaria articulando para que o governador Marcelo Déda (PT) tenha o seu mandato cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o ex-governador João Alves Filho (DEM) respondeu que “eu só faço planos em cima daqueles fatos que dependem de mim. Naturalmente, de mim e do povo. Então só faço planos em cima de 2010”.

João Alves disse ainda que os comentários de que estava tratando o assunto cassação de Déda com o presidente do Senado, o senador José Sarney (PMDB/AP), não fazem sentido. O ex-governador lembrou que é amigo pessoal de Sarney – de quem já foi ministro – e que tem o hábito antigo de visitar o senador.

“Sarney não é apenas um amigo político: é amigo da família há mais de 20 anos. Esse fato (a possível cassação do mandato do governador Marcelo Déda, acusado de ter cometido irregularidades durante a campanha de 2006) está no judiciário e prefiro não comentar. Tenho uma confiança muito grande no judiciário. O TCE vai julgar um assunto que faz parte da natureza do órgão. Então, não cabe a mim comentar. Digo apenas o seguinte: quem não deve, não teme”.
Fonte: Jornal da Cidade - Aracaju

Nenhum comentário:

Postar um comentário