terça-feira, 28 de julho de 2009

Poço Verde prevê uma boa safra de feijão para este ano


Texto: Luiza Sampaio (Estagiária)/Foto: Ascom/PMPV/Divulgação

Matéria publicada no Jornal da Cidade/Aracaju 26/07/2009


Localizado no Sudeste sergipano, a 145 km da capital, o município de Poço Verde se destaca no cenário econômico do Estado devido à sua alta produção de feijão. Em época de colheita é comum na cidade ver o produto espalhado pelo chão, forma pela qual os pequenos agricultores costumam colocar o grão para secar. Ao todo, 15 mil hectares, divididos em minifúndios, são utilizados para plantação na região, sendo 1 mil hectares de feijão solteiro e mais de 12 mil hectares de plantação de feijão consorciado com o milho. A cultura é objeto de trabalho de mais de três mil famílias da cidade, que tratam a terra, plantam, irrigam, colhem, e fazem da plantação do feijão a sua principal fonte de renda.

De acordo com Luiz Alberto, técnico agrícola e gestor da Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro) sede de Poço Verde, o município é responsável por 45% da produção de feijão do Estado e a cada nova safra esse percentual tende crescer. Ele explica que este ano a produção aumentou cerca de 40%, refletidos em oito mil toneladas de feijão esperadas para esta safra. “O produto é peça essencial na mesa dos brasileiros, por isso vale muito a pena investir. Os agricultores do município estão bastante empolgados com esses números, já que isso representa aumento significativo na renda de suas famílias”, comemora Alberto.

Para ele, o modo de produção baseado na agricultura familiar, é que leva o produto a se destacar no Estado. O município possui 2.059 estabelecimentos rurais, dos quais 1.935 são de agricultura familiar, totalizando 94% dos produtores. Grande parte da produção é exportada para estados como Minas Gerais, Goiás, Rio de Janeiro, Pernambuco, Paraíba, São Paulo, entre outros. O gestor da Emdagro esclarece que quando não é viável a exportação do produto, devido ao baixo preço, o governo federal, através da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), compra o feijão pelo preço mínimo exigido e o utiliza nos programas do governo.

Incentivos

O secretário de Agricultura do município, Ademir de Oliveira, lembra que essa boa fase da produção de feijão em Poço Verde está ligada aos projetos de incentivo que a cultura vem recebendo da prefeitura da cidade, dos governos estadual e federal e de instituições ligadas ao setor. Dentre as várias iniciativas, o secretário destaca os Bancos de Produção, projeto em que os três órgãos, além dos produtores rurais da região, que colaboram.

“O governo, através da CONAB, compra as sementes de feijão; a prefeitura loca armazéns para estocá-las; a Emdagro entra com os técnicos agrícolas que separam e classificam os grãos de acordo com sua espécie; e os agricultores contribuem com a mão-de-obra”, relata.

Outros programas de incentivo também são apontados pelo secretário como essenciais para o fortalecimento do setor na região. “A prefeitura contratou três tratores que ficam nas Associações dos Produtores Rurais do Município e prestam serviço para os agricultores da região. Além disso, os agricultores também recebem incentivos da Emdagro com assistência técnica, palestras esclarecedoras, reuniões para debater propostas, visitas de inspeção, tudo em prol da melhoria na produção”, conta Ademir.

Problemas

Apesar do município se destacar no cultivo de feijão, os agricultores da região contam que alguns fatores ainda atrapalham a produção. Aires Nascimento, presidente do Sindicato dos produtores Rurais de Poço Verde, diz que o principal problema está ligado aos fenômenos da natureza.

“Algumas plantações da próxima safra já estão no período de floração e é muito importante a presença da chuva para o desenvolvimento desse processo. Já estamos há mais de oito dias sem chuva nas plantações, isso assusta os produtores, pois já temos algumas lavouras prejudicadas com este quadro”, lamenta Aires.

A presidente diz ainda que um outro fator também tem preocupado os agricultores da região. Muitas vezes as feiras livres tentam comercializar o feijão a preços abaixo do valor mínimo estipulado, e quando isso acontece é preciso intervenção do governo federal. Através da CONAB, o governo tenta garantir o preço mínimo da saca pretendendo contribuir com a boa comercialização do produto. “Esta intervenção é muito importante para os produtores rurais, pois tenta inibir esta prática e garantir o equilíbrio no mercado de grãos”,acrescenta.

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