sexta-feira, 14 de agosto de 2009

MORRE EX-GOVERNADOR DE SERGIPE SEBASTIÃO CELSO DE CARVALHO

Aos 86 anos faleceu na capital sergipana, o simãodiense e ex-governador do estado de Sergipe Celso de Carvalho. Ele era filho de João de Matos Carvalho e de Rosa de Andrade Carvalho, nasceu em Simão Dias em 24 de janeiro de 1923. Ele faleceu as 11 onzes da manhã desta sexta.
SEBASTIÃO CELSO DE CARVALHO (1923 - 2009)
Sebastião Celso de Carvalho, filho de João de Matos Carvalho e de Rosa de Andrade Carvalho, nasceu em Simão Dias em 24 de janeiro de 1923. Pelo lado materno descendia do Barão de Santa Rosa, título dado pela Santa Sé a Sebastião de Andrade, benemérito construtor da Igreja Matriz de Simão Dias e pelo lado paterno do político Joviniano de Carvalho, que foi, na República, 5 vezes deputado federal, de 1901 a 1914. Estudou as primeiras letras no Grupo Escolar Fausto Cardoso, recém construído por Graccho Cardoso, deixando-o para estudar com a professora Antonia Borges da Silva, na fazenda Balcão. Com 10 anos de idade mudou-se para Aracaju, como aluno do Colégio Tobias Barreto, do professor José de Alencar Cardoso (Zezinho Cardoso). Na hierarquia, militarizada, do Colégio chegou a Capitão, tendo sido comandante da segunda unidade e porta bandeira.
Sebastião Celso de Carvalho estudou no Colégio Tobias Barreto até 1940, quando foi para Salvador, matricular-se no Colégio Marista (1940-1941) e fazer os preparatórios para a Faculdade de Direito da Bahia. Ingressou no curso jurídico em 1942, bacharelando-se em 1946, aos 23 anos. Formado, regressou a Simão Dias, passando a advogar e a preparar sua carreira política. Com a redemocratização de 1945 filiou-se ao Partido Social Democrático – PSD, ao lado de Gervázio Prata e de José Dória de Almeida, o Dorinha, e candidatou-se, em 1947, a Prefeito de Simão Dias, elegendo-se, sem concorrentes.
Em 1950 apoiou Carvalho Deda para a Assembléia, aceitando, por alguns meses, ser Pretor em Campo do Brito. Com a reforma judiciária voltou a advogar em Simão Dias, para, em 1954, candidatar-se a deputado estadual, elegendo-se folgadamente. Em 1958 repetiu o feito, sendo reeleito para a Assembléia Legislativa do Estado. No exercício do último mandato, foi escolhido pelo PSD, com o apoio do PR, para compor ao lado do deputado federal Seixas Dória a chapa para o Governo do Estado, como candidato a vice governador.
No Governo substituiu, muitas vezes, o governador titular e estava no exercício do Governo quando teve início o movimento militar de março de 1964. No seu discurso O Destino Acontece, pronunciado na Câmara Municipal de Aracaju, em 3 de setembro de 1968 (Aracaju: Livraria Regina, s/d), Celso de Carvalho lembra que participava da posse de Serapião de Aguiar Torres como Desembargador, no dia 31 de março, quando percebeu a movimentação do comandante do 28 BC, cel. Silveira, recebendo emissários que, veio depois a saber, eram da VI Região Militar e traziam ordens para que as tropas federais entrassem em absoluta prontidão. No mesmo dia, na recepção da casa do novo desembargador, Celso de Carvalho inteirou-se dos acontecimentos do País, do movimento militar e passou a colaborar com o comando do 28 BC, aguardando a volta a Aracaju do governador Seixas Dória, que estava fora do Estado.
Foram horas de tensão, e de incerteza. Os fatos levaram Celso de Carvalho de volta ao Palácio, reunido com o Secretariado e com alguns amigos mais próximos, e a interferir em episódios como o da ordem de prisão contra o deputado federal Euvaldo Diniz, da UDN, que conseguiu relaxar, o recebimento do Manifesto do governador Miguel Arraes, de Pernambuco, que não assinou, e, ainda, a presença no Palácio de trabalhadores que declaravam apoio ao Governo constitucional do presidente João Goulart, exigindo que ele e o comandante do 28 fizessem o mesmo. Depois de um dia cheio de contatos, movimentado por conta das reações ao golpe militar, Celso de Carvalho manda receber o governador Seixas Dória no Aeroporto, passa o Governo no Palácio Olímpio Campos, faz amplo relato dos fatos, na presença do Secretário da Fazenda Teotonilo Mesquita, cunhado do governador, e vai para casa dormir. Madrugada, é acordado e levado de casa para o Palácio, onde para uma platéia de militares e na presença de poucos amigos, assumiu o Governo, enquanto o titular estava preso no Quartel do 28 e enfrentaria, logo depois, um processo de impedimento.
No dia 4 de abril de 1964 Celso de Carvalho assume o Governo do Estado de Sergipe, para cumprir o mandato de Seixas Dória, permanecendo no Poder até janeiro de 1967, quando é substituído por Lourival Baptista, indicado pelos militares. Enfrentou a ira dos udenistas, que queriam substituí-lo, mas soube atravessar, com cautela, o período revolucionário instalado no País. Fora do Governo, Celso de Carvalho ingressou na ARENA, elegendo-se deputado federal para as legislaturas de 1975-1979, 1979-1983 e 1983-1987.
Casado com D. Bertilde Carvalho, desde 1952, é pai de quatro filhos: Celso Barreto, João Eduardo, Luciano Augusto e Sonia Maria. Aos 83 anos, fora da política desde 1987, divide o tempo entre seu apartamento do edifício Atalaia, o escritório do edifício Paulo Figueiredo e a fazenda Mercador, junto a Simão Dias.
Fonte: edelsonfreitas.com

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